Na noite da passada sexta-feira, dia 21 de novembro, todo o país foi apanhado de surpresa pela notícia revelada. O ex Primeiro Ministro José Sócrates havia sido detido. Na manga do avião, após regressar de uma viagem a Paris.
Já na altura, aquilo que os meios de comunicação social divulgaram, dizia respeito à suspeita de crimes de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal. Coisas que qualquer português facilmente associa aos políticos, de uma forma geral. Assim, a surpresa não residiu, pois, nos ditos crimes (ou suspeita dos mesmos), mas sim na detenção. Porque, efectivamente, nunca antes em Portugal havia sido detido um ex Primeiro Ministro.
Foi, então, na sexta-feira que começou o chamado circo mediático. Com todos os canais televisivos a emitir debates e opiniões; com todos os partidos políticos a evitar grandes comentários. Com todos os portugueses em pulgas para saber quais seriam os seguintes passos neste novelo tão fechado.
Na noite da passada segunda-feira, dia 24 de novembro, todo o país parou para ouvir a medida de coacção aplicada ao ex Primeiro Ministro, José Sócrates. Uns achavam que, à bom político português se ia safar. Outros depositavam confiança no juiz e na máxima que defende a cegueira da Justiça, acreditando que o ex Primeiro Ministro José Sócrates ia dentro.
Pois que após as 22 horas, lá se soube que ao cidadão José Sócrates foi aplicada a medida de coacção de Prisão Preventiva, desconhecendo-se os motivos para tal, porque o Tribunal assim quis.
Eu não tenho filiação partidária, portanto é-me totalmente indiferente se a pessoa em questão é de esquerda ou de direita. Não sou da área do Direito, portanto há muita coisa que não percebo.
Mas sou portuguesa. E com muito orgulho. Ainda assim, não deixo de me sentir um tanto ao quanto envergonhada por o nosso país ser capa dos jornais mais influentes do mundo por tão maus motivos.
Porque, afinal, é de supor que - perante tal medida de coacção - os indícios da prática dos referidos crimes são muitos. Muitos. E é lógico que é vergonhoso vermos uma figura do Estado envolvida nos mesmos.
Ainda assim, não deixa de me causar uma certa estranheza este tratamento mediático que é dado ao suspeito em questão.
Mas, afinal, é suposto se falar do ex Primeiro Ministro ou é suposto se falar do cidadão José Sócrates?!
Se a Justiça é cega e, por assim ser, totalmente imparcial, então não faz qualquer sentido o cidadão José Sócrates continuar a ser denominado como ex Primeiro Ministro. Ou então, facilmente se entra em contradição.
Outra das questões que também me parece relevante diz respeito às constantes fugas de informação. Não me parece, de todo, lógico acontecerem. Seja qual for o processo. Se o segredo de justiça existe, parecer-me-ia de bom tom que todos os funcionários envolvidos nestas andanças cumprissem com as suas obrigações enquanto isso mesmo, funcionários do sistema de justiça.
O que eu sei é que, da mesma forma que muita gente deve ter ficado contente com esta detenção, também há muita gente cujo coração há-de pular de receio.
E nós, portugueses, aguardaremos por mais desenvolvimentos neste enredo que, a meu ver, ainda vai fazer correr muita tinta.
Termino com uma citação do próprio José Sócrates, expressa a 27.07.2010. 'A verdade acaba sempre por vir ao de cima'.
Aguardemos então.